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Treinamento muscular inspiratório em pacientes submetidos à hemodiálise

Treinamento muscular inspiratório em pacientes submetidos à hemodiálise

Por Dra Viviane Soares – Fisioterapeuta doutoranda em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, UFG, Brasil.

Nas duas últimas décadas, os estudos sobre força muscular respiratória e função pulmonar de pacientes submetidos à hemodiálise tem tido relevância por causa das complicações respiratórias que comumente acontecem. A capacidade funcional destes pacientes é limitada pela fadiga e fraqueza muscular, além da dispnéia por esforço. No aspecto muscular, as razões para estas condições são multifatoriais e incluem a desnutrição, atrofia (redução da massa muscular), miopatia (redução na capacidade do músculo em gerar força), neuropatia (redução na capacidade do sistema nervoso em ativar as unidades motoras), ativação neurohumoral, acúmulo de toxinas urêmicas, baixa perfusão e inatividade ou a combinação destes mecanismos. Na função pulmonar, as complicações são o derrame pleural e o edema pulmonar não-cardiogênico que seguramente alteram a troca gasosa, volumes e capacidades pulmonares.

Diante destas complicações, o treinamento muscular inspiratório (TMI) pode minimizar os efeitos da doença sobre o sistema respiratório e na maioria dos casos prevenir o aparecimento destas. O primeiro estudo publicado sobre TMI específico para pacientes submetidos à hemodiálise foi publicado por Weiner et al. (1996). Os pesquisadores mostraram que três meses de TMI específico, três vezes por semana, aumentaram significativamente da pressão inspiratória máxima (Pimáx) nos pacientes.

Na ultima década, intensificou-se o interesse por parte de fisioterapeutas na população de pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise. Alguns ensaios clínicos foram realizados e mostraram que o TMI, geralmente, é feito durante a hemodiálise (nas primeiras duas horas porque muitas substâncias necessárias e que fazem parte do arsenal metabólico do indivíduo estão altamente reduzidas na terceira e quarta hora, o que pode expor o indivíduo a complicações como hipoglicemia e hipotensão) três vezes por semana. O TMI é realizado por um período de 2 a 3 meses com carga inicial de 30-40% de Pimáx.

Há indícios na literatura de que os TMI’s com resultados satisfatórios sejam realizados com três séries de 10 repetições, com intervalos de um minuto entre elas. Alguns estudos utilizaram séries de cinco repetições por 30 minutos e outros utilizaram exercícios específicos para membros superiores e inferiores para avaliar a força muscular inspiratória e não verificaram nenhum ganho significativo na Pimáx.

O TMI no paciente submetido à hemodiálise tem como objetivo o fortalecimento da musculatura respiratória e, a partir desta, potencializar a ventilação e, consequentemente a perfusão pulmonar. Ainda, é importante ressaltar que estas complicações são rotineiras e que a implantação de uma assistência a estes pacientes podem reduzir o número de internações, melhorar a capacidade funcional e o ônus decorrente destas complicações.