Texto escrito pela Fisioterapeuta Juliana Franzotti 

As complicações pulmonares são freqüentes no pós-operatório de qualquer cirurgia, porém procedimentos cirúrgicos cardíacos, torácicos e abdominais quando comparados a outras cirurgias apresentam uma probabilidade maior do surgimento de complicações pulmonares (1-3).

As principais complicações pulmonares encontradas no pós-operatório são: atelectasia, infecção traqueobrônquica, pneumonia, insuficiência respiratória aguda, ventilação mecânica e/ou intubação orotraqueal prolongadas e broncoespasmo(4).

Essa probabilidade aumentada deve-se a alguns fatores, entre eles: a proximidade do procedimento com os pulmões, o tipo de anestesia utilizado, o tempo de cirurgia, idade avançada, presença de doença pulmonar prévia ou outras doenças clínicas, tabagismo e sua intensidade, obesidade, desnutrição, técnica cirúrgica empregada, valores espirométricos anormais, capacidade diminuída ao exercício e tempo de internação pré-operatório prolongado (5-9).

A prevenção das complicações pulmonares é de extrema importância no período pós-operatório, pois essas complicações elevam as taxas de mortalidade , do tempo de permanência nos hospitais e dos gastos. Dentre os exercícios respiratórios que podemos realizar, temos os inspirômetros de incentivos ou exercitadores respiratórios.

Os inspirômetros são instrumentos que fornecem feedback visual ou auditivo, encorajando os pacientes a realizarem inspirações máximas e sustentadas(10). Inspirações profundas levam ao aumento da pressão transpulmonar e, associadas à pausa inspiratória, promovem insuflação e recrutamento alveolar, contribuindo para a estabilização dos alvéolos, melhorando a complacência e ventilação alveolar(11). Os exercitadores tem como objetivo restaurar os volumes pulmonares, modificando o padrão respiratório prevenindo ou reduzindo a incidência das complicações pulmonares pós-operatórias (10,11).

Um estudo realizado no pós operatório de revascularização do miocárdio comparou o uso de RPPI (pressão positiva expiratória intermitente) e inspirometria e concluíram que o RPPI promoveu uma reversão mais rápida de hipoxemia, enquanto que a inspirometria mostrou-se mais eficaz na melhora da força muscular respiratória. (12)

Em uma metanálise para analisar os estudos sobre inspirometria de incentivo, RPPI e exercícios de respiração profunda na prevenção de complicações pulmonares pós-operatórias de pacientes submetidos a cirurgias abdominais superiores, os autores concluíram que os exercícios de respirações profundas e o uso de exercitadores são mais eficazes quando comparados a grupos de pacientes que não fizeram nenhum tipo de tratamento (13).

Franzotti et al, (dados preliminares) mostra que a realização de inspirometria de incentivo no pré-operatório de cirurgia bariátrica, elevou os valores das pressões inspiratórias e expiratórias máximas, após 6 semanas do uso do exercitador (14).

 

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